Morena
Trilha Sonora: Los Hermanos - Último Romance
No caminho de volta para casa percebi o quanto gosto de você morena, amar é para fracos, estou me sentindo um hoje. Nunca fui um cara de me apaixonar, aprendi com papai que o amor tem dois objetivos, te tornar um idiota e te fazer sofrer. Quando menino tive várias "pseudo-mães-de-primeira-viagem", eu sei, é difícil de se entender, resumidamente, papai não era homem de uma mulher só, ele vivia uma espécie de "aventura-amorosa-contínua". Habilidade esta que aprendi com maestria.
Homens se tornam presas fáceis quando se apaixonam, anote isso no seu diário de relatos cotidianos, aquele de capa rosa e plástico protetor, com uma foto do Johnny Depp como marcador de páginas. Não acredito que me lembrei deste detalhe, ponto positivo para você morena, detalhismo masculino agudo é sinal de paixão. Será que cai nessa, canalhas támbem se apaixonam. Tudo na vida tem a primeira vez não é, o primeiro beijo, a primeira transa e até a primeira paixão, pensei que desta passaria ileso.
Lembra-se do convite para um cineminha na minha casa, do filme escolhido de forma aleatória entre outros cem títulos da minha coleção, "(500) Dias com Ela", do som da música "último romance" dos Los Hermanos que ecoava do fundo do corredor da sala, da lasanha sabor quatro queijos que fiz para você naquela noite, do meu sorriso de coincidência, confesso, foi tudo planejado, precisava de você ali do meu lado. Você estava envolta no complô que fiz para te agradar, sorria como uma criança perante uma novidade, elogiava a fotografia do filme, a atriz coadjuvante, nomeava Los Hermanos como sua banda favorita e me confessava que a voz do Rodrigo Amarante lhe causava arrepios, por fim me dava dicas de como conquistar uma mulher, sem saber que você me conquistou no primeiro olhar.
Eu reparava nos detalhes do seu corpo, no seu sorriso de menina sapeca, na sua marquinha de nascença presente na parte interior da sua coxa direita, nos milhares de traços que formavam sua tatuagem, desde sua nuca até o seu cóccix.Seu cheiro ocupava o espaço vazio entre nossos corpos, sua puberdade aflorava diante dos meus olhos. Meus pensamentos viajavam quase a velocidade da luz. Eu estava ali, sozinho e ao mesmo tempo com a melhor companhia do mundo. Tudo porque você não imaginava que por dentro eu era só seu.
O filme estava próximo do fim, suas pupilas lutavam bravamente para se manterem abertas, o relógio de parede marcava 03:45 da madrugada. Cobri seu corpo suavemente com o lençol rosa bebê, arrumei sua cabeça sobre o travesseiro de fronha branca . Observei seu bocejo de sono, lhe dei um beijo na testa como sinal de boa noite. Você ficou de bruços sobre a cama com os pés suspensos no ar, se encolheu no seu jeito particular de dormir . Desliguei a televisão e retirei o filme do DVD player, deixei você sozinha no meu quarto, e antes de sair e apagar a luz pensei "quem sabe um dia pequena eu não te tenho só pra mim".
Texto: Leo Lima
Fotografia: Luiz Fernando Rodrigues via Olhares.com


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