sábado, 25 de junho de 2011

Mulheres tem Desejos, Quase Sempre





Trilha Sonora: Goo Goo Dolls - Iris



Você me diz com a voz de quem não quer nada “quais são seus planos para sábado à noite”, mais por dentro queima em temor de mais um não. Eu sei que sou a mulher da sua vida, mais nesse momento não faço a mínima questão de ser sua. Queria te dizer tudo, mais não posso, meu instinto de auto-preservação não permite, você é minha segunda opção se todas as outras novecentas e noventa e nove falharem. Você até que é bonitinho, daria um excelente namorado, mais teria que lapidá-lo a minha maneira.



Sou complicada, e por azar do destino meu último namorado fez questão de queimar meu manual de instruções, isso agrava ainda mais minha situação porque não funciono no piloto automático. Todos os outros antes de você tentaram me desvendar, falharam, foram óbvios, tiveram pensamentos óbvios de que toda mulher é igual. Não dou dicas, não falo sobre mim.


Recordo-me de sua última ligação a meia noite de uma terça-feira chuvosa, não tenho hábito de atender telefonemas nestes horários, mais estava precisando conversar com alguém. O toque do meu celular deixava pistas para suas investidas "And I'd give up forever to touch you, Cause I know that you feel me somehow". Você descobriu o nome da música na primeira audição, tornou-se fã de Goo Goo Dolls e elegeu Iris como sua canção preferida, tudo isso por mim.


Existe uma grande ironia em tudo isso, vejo seu valor mascarado por barreiras pessoais minhas, não quero outro grande amor, não quero abrir meu coração. Lembra-se do meu manual, fui eu mesma quem o queimou. Foi fácil, cinqüenta mililitros de álcool etílico e um fósforo. Confesso, estou arrependida, se pudesse voltar atrás teria o trancado em uma gaveta e jogado a chave fora, pelo menos ele ainda estaria intacto, pronto para ser descoberto por alguém que tivesse a paciência para me entender.


Sem ele, sem minhas instruções, resumo a fórmula do amor a minha vida sexual ativa. O Leonardo me ensinou como preencher a hidromassagem utilizando nossos corpos, o Matheus me ensinou a usar os quatro cantos da cama King Size, e você o que tem a me ensinar? Não me culpe, não me julgue, quem criou meu ser interior derrubou algumas gotinhas de testosterona na minha mistura de mulher. Mulheres podem ser sacanas, tão bem dissimuladas quanto os homens, tudo na vida é questão de prática, de estar usando salto alto ou terno risca de giz.




Os fatos falam, não me diga que você acredita na história de que Deus expulsou Adão e Eva do paraíso por causa de uma maçã, bem sei eu que maçã era aquela. Posso ver neste momento o fundo da sua alma em chamas, seu jeito de animal acuado tentando se defender, minhas palavras são como veneno para sua paixão, mulheres tem desejos. Não quero dizer não para seu amor, só não o quero hoje.


Texto: Leo Lima
Fotografia: Paulo Freitas via Olhares

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Morena






Trilha Sonora: Los Hermanos - Último Romance



No caminho de volta para casa percebi o quanto gosto de você morena, amar é para fracos, estou me sentindo um hoje. Nunca fui um cara de me apaixonar, aprendi com papai que o amor tem dois objetivos, te tornar um idiota e te fazer sofrer. Quando menino tive várias "pseudo-mães-de-primeira-viagem", eu sei, é difícil de se entender, resumidamente, papai não era homem de uma mulher só, ele vivia uma espécie de "aventura-amorosa-contínua". Habilidade esta que aprendi com maestria.



Homens se tornam presas fáceis quando se apaixonam, anote isso no seu diário de relatos cotidianos, aquele de capa rosa e plástico protetor, com uma foto do Johnny Depp como marcador de páginas. Não acredito que me lembrei deste detalhe, ponto positivo para você morena, detalhismo masculino agudo é sinal de paixão. Será que cai nessa, canalhas támbem se apaixonam. Tudo na vida tem a primeira vez não é, o primeiro beijo, a primeira transa e até a primeira paixão, pensei que desta passaria ileso.


Lembra-se do convite para um cineminha na minha casa, do filme escolhido de forma aleatória entre outros cem títulos da minha coleção, "(500) Dias com Ela", do som da música "último romance" dos Los Hermanos que ecoava do fundo do corredor da sala, da lasanha sabor quatro queijos que fiz para você naquela noite, do meu sorriso de coincidência, confesso, foi tudo planejado, precisava de você ali do meu lado. Você estava envolta no complô que fiz para te agradar, sorria como uma criança perante uma novidade, elogiava a fotografia do filme, a atriz coadjuvante, nomeava Los Hermanos como sua banda favorita e me confessava que a voz do Rodrigo Amarante lhe causava arrepios, por fim me dava dicas de como conquistar uma mulher, sem saber que você me conquistou no primeiro olhar.




Eu reparava nos detalhes do seu corpo, no seu sorriso de menina sapeca, na sua marquinha de nascença presente na parte interior da sua coxa direita, nos milhares de traços que formavam sua tatuagem, desde sua nuca até o seu cóccix.Seu cheiro ocupava o espaço vazio entre nossos corpos, sua puberdade aflorava diante dos meus olhos. Meus pensamentos viajavam quase a velocidade da luz. Eu estava ali, sozinho e ao mesmo tempo com a melhor companhia do mundo. Tudo porque você não imaginava que por dentro eu era só seu.



O filme estava próximo do fim, suas pupilas lutavam bravamente para se manterem abertas, o relógio de parede marcava 03:45 da madrugada. Cobri seu corpo suavemente com o lençol rosa bebê, arrumei sua cabeça sobre o travesseiro de fronha branca . Observei seu bocejo de sono, lhe dei um beijo na testa como sinal de boa noite. Você ficou de bruços sobre a cama com os pés suspensos no ar, se encolheu no seu jeito particular de dormir . Desliguei a televisão e retirei o filme do DVD player, deixei você sozinha no meu quarto, e antes de sair e apagar a luz pensei "quem sabe um dia pequena eu não te tenho só pra mim".





Texto: Leo Lima
Fotografia: Luiz Fernando Rodrigues via Olhares.com

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